Pesquisadores descobrem “peixe geléia” e moréia gigante
Pesquisadores do Projeto Tamar, do Instituto Chico Mendes, agitaram o meio científico com duas descobertas sobre a biodiversidade marinha. A primeira foi uma espécie de peixe, que ganhou o nome de “cabeça de geleia”. Depois, um animal parecido com uma moréia, que mede mais de um metro. Eles já foram enviados para estudos a fim de que sejam confirmados como novas espécies. Os animais habitam águas profundas e foram capturados no litoral baiano com anzóis circulares.
Guy Marcovaldi, oceanógrafo e chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas, centro especializado do Instituto Chico Mendes que mantém o Projeto Tamar, disse que, aparentemente, o “cabeça de geléia” faz parte de uma super-ordem exclusiva da família Ateleopodidae, que tem quatro gêneros (Ateleopus, Parateleopus, Guntherus e Ijimaia) e doze espécies conhecidas no Caribe, Atlântico e Pacifico. O exemplar descoberto na Praia do Forte, onde foram feitas as pesquisas, pode ser a 13ª espécie.
O nome dado à nova espécie, encontrada em uma profundidade entre 200 e mil metros, se deve ao fato de ela apresentar excesso de gordura em sua parte frontal. Além disso, seu esqueleto é cartilaginoso e focinho bulboso. O animal tirado da água media quase dois metros de comprimento. A divulgação em uma grande revista científica, que seria a “certidão de nascimento” da nova espécie, ainda não foi feita, mas já está sendo providenciada.
Logo depois, Marcovaldi capturou a moréia gigante. Ela mede 1,21 m e pesa 3,5 quilos. Os pesquisadores ficaram impressionados com essa descoberta, principalmente porque foi feita na mesma área e profundidade em que foi encontrado o “cabeça de geléia”, o que mostra Isso mostra que a biodiversidade da região precisa ser ainda mais investigada.
Além das novas descobertas, o chefe do Tamar garante que a pesca com anzóis circulares não causa tanto impacto ao meio ambiente marinho e é mais produtiva que a tradicional. “Evita a captura incidental de tartarugas marinhas, aumenta as chances de sobrevivência dos animais pós-captura e garante a manutenção ou o aumento da produtividade das pescarias”, como explica Guy. Usados desde 2001, esse tipo de anzol tem sido fundamental para novas descobertas. Além de ter diminuído muito a captura acidental de tartarugas marinhas.
No entanto, os pescadores do litoral baiano, assim como os do resto do Brasil, ainda não estão convencidos da eficácia desses anzóis circulares. “A cultura fala mais forte e eles preferem usar os anzóis tradicionais e condenados, na forma da letra J. Eles não aceitam o desenho em forma de G, dos anzóis circulares, bastante diferente dos tradicionais. Vamos fazer um trabalho de educação ambiental para que o novo anzol se torne popular”, explica, quase em tom de lamento, o chefe do projeto Tamar.
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